sexta-feira, 19 de junho de 2009

Delírios...

Entre a ponderação e o delírio há sempre aquele instante. Há medo, espanto, impulso, pulo, sonho, alvo. Há vertigem, estranheza, solidão. Há cuidado, cautela, desejo. Há calor, pulsar, suspiros. Há o novo, o desconhecido, o mais que conhecido. Há prazer, aprendizado, esquiva. Há um tudo junto misturado dentro de um peito que só é um. Há explosão, surpresa, paixão. Há vida, há sempre Vida.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

A última carta

Ela carregava no bolso esquerdo aquilo que pra ela era como se fosse um mapa.No bolso esquerdo do seu casaco ela levava aquilo que pra ela representava todo um mundo onde ela poderia adormecer sem que necessário fosse conferir as portas e as janelas.Levava no bolso uma carta e a cada dois minutos ela a tocava por cima da roupa como se com isso pudesse obter algum tipo de calor.
Ela tinha sempre um olhar meio desconfiado.Olhava as pessoas com um certo rancor e pensava que se por algum motivo rissem dela ou a julgassem mal, ela iria tirar do bolso o pequeno pedaço de papel onde estava escrito...O que estava escrito?Ela também não sabe.Ela disse que iria olhar somente quando precisasse e até quando suportasse saber que existe algo em que acreditar.
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N. Andrade

sábado, 2 de maio de 2009

Pois bem....

Todos os sinais e todos o véus que usei acenando pra você era falsos pretextos.
Tudo que disse ainda há pouco era pura queda, era puro abismo... era eu perto das seis da tarde ( você bem sabe o que significa isso).
Eu sou todo diacrônico.
Eu sou todo desleixado.Você bem sabe que eu ando esquecendo minha idade.De quem é a culpa?É minha.Eu sou o tolo.
Você é meu pior sintoma.O pior de todos eles.
Você é o estrangeiro que bate à minha porta.Quem é você?Você sabe do meu vício e sabe que meu mal é ser sempre pequeno.Eu é que no meu lugar calo.Você no meu lugar usurparia-me a morada e eu ia cantar no frio uma canção que ninguém entenderia.
Os Outros perguntam "o que houve com sua voz?" e eu digo que estou bem.Todos eles desconhecem o tártaro em que se encontra meus pensamentos.
Estou tão cansado de fingir.Eu sempre fico tentando dar uma última chance pra mim mesmo.Fico contando com a sua boa-vontade em desenhar o mapa pra mim.Não queria seis laudas...mas queria os elementos necessários pra eu fazer o caminho de volta para o melhor abrigo que conheço.Ainda é possível?Não sei se será o mesmo de antes ou se eu terei que disputar com as sombras.Não tenho mais forças admito!Admito minha total descrença e meu pessimismo febril.Não seja covarde como eu sou... não tenha piedade de mim como eu também não tenho.Tire minha roupa e deixe-me nu em praça pública.Só não fure meus olhos.Não fure meus olhos:não me poupe da honestidade.

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domingo, 26 de abril de 2009

Talvez exista aqui um falsário
E um ladrão
Um príncipe
E um mecânico de aviões

Talvez viva aqui um inocente
Uma criança
Uma dançarina
E um ancião

Talvez tenhamos perdido as medidas
Quanto é muito?
Quanto é pouco?
Quanto é tudo?
Qual o tom da minha voz?

Talvez o anel seja de vidro
E se eu pudesse te desvitrificar?
Talvez eu não saiba quando terminar
Onde acaba o desmedido?

E agora eu era um estilhaço...

quinta-feira, 12 de março de 2009

Não, meu querido, não tentes. Minhas lágrimas tem muito veneno, e tu, com tua delicadeza extrema, com teus olhos de menino, não saberias chorá-las. Tu tens a ela. Aliás, tens a elas todas (sempre esqueço que são muitas). Eu nem mais as minhas tenho, então derramarei a saudade em meio à solidão, que é só minha e sempre. E ficarei a cavar vós, como sempre fiz, à procura da beleza que não tenho e que ninguém verá.

Não repares que haja tanta tristeza aqui. Que esperavas de alguém cujo nome é melancolia?

sexta-feira, 6 de março de 2009

From the little girl to the little boy

Não sei o que esperas que, subitamente, te e(n)leve. Teces sempre uma colcha a teu redor, juntando e costurando as paixões que não entendes, na esperança de seres aquecido por todas, mas que um retalho te queime e marque. Depois, carregas essa colcha qual bandeira, porém és o único a não perceber que ela não é o estandarte do teu bloco: é só a fotografia das tuas cinzas, e não só as da quarta-feira.

Juntas uma multidão a te esperar, mas eu detesto multidões, tu bem o sabes. Mais ainda detesto as multidões nas quais me sinto igual e nem sei o que represento. Detesto ser igual a elas todas. Não que cada uma não seja bela, nem tenha encantos. Eu mesma me apaixonaria por algumas, e são tantas, afinal... Não, não é isso. Apenas quero ser colcha inteira, e não pedaço.

Não que eu não vá sentir a falta das tuas mãos sobre o meu corpo ou da tua boca a passear em minha pele, a mapear minhas costas... Mas preciso que o calor que causo também me aqueça. Preciso que os olhos que procuro queiram encontrar os meus, e não qualquer par. Eu não saberia (e não sei) ser um conjunto formado apenas por ouvidos atentos e uma boca muda esperando pela tua.

Como disse minha amiga, não sei aceitar chuva que não molha. Para mim, ou temporal ou sequidão. Posso ser sempre tua amiga, que te entendo e te adoro e te admiro sempre, mas não posso me prender a uma história que nunca terá final, seja qual for, simplesmente porque tua proposta é que ela caminhe paralela a todas as outras. Não posso ser tão cruel comigo mais uma vez, e sabes que eu já o fui tantas...

Não quero também ser cruel contigo. Sei que haverá muitos braços a te acolher, e muitas canções a te acalantar, mas por agora preciso de alguém que possa andar ao meu lado sem parar a cada sorriso que encontre.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Só vi agora que me desafiaram. Lá vai;

Confesso que:
1. Eu queria um amor eterno, qualquer que fosse;
2. Pedir alguma coisa a alguém soa como arrancar um dedo. É realmente doloroso, pra mim;
3. Eu tenho medo de ser amada;
4. Não sou tão independente quanto pareço;
5. Não sou muito boa com questões sexuais.

É isso.